
David Beckham de Lagrenné
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Tento contar quantas
(tantas) borboletas
há em você.
Inquietas,
de cores extintas
sem sensores.
Mas aí, vêm seus grilos
de ressaca de breu
- não se calam,
(me confundem).
E há também libélulas,
a emudecer o silêncio
dos grilos com voz
de reticências,
pétalas.
Existe você
castelo de torre,
espera.
No calabouço, serpente,
botes de palavras.
Palavras...
Não sei contar
grilos,
borboletas,
libélulas.
Mas aprecio
o mistério da
dança das asas
sem norte.
Mural dos deuses
Neste nenhum
trocadilho da alma
há insônia de Baco.
Há o profano em
células,
cume de ossos,
em câncer,
trópicos.
O eterno na esquina,
no tráfego das mãos,
na romaria de dúvidas.
O fogo de cupim:
no celebro e sexo.
Há babas no mar
em despedidas de trovões
ressaca de barcos
no veludo de vozes.
O humano a se render.
Nos homens, a morte
imersa na arte.
Léxico dos deuses
Sopro com sede
No inferno.
Nos homens,
a pitada da ironia:
ser divino em pele de fungos,
em bactérias de dor,
em cascas do tempo.

Bruce Willis de Van Gogh
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Eber
José Edson dos Santos