terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O homem-aranha é flagrado - Ray Cunha


Ray Cunha visto pelo escritor, pintor e caricaturista Áureo Mello

www.solute.com.br/.../cronicas.htm


http://images.google.com/

O homem-aranha é flagrado

RAY CUNHA

(Ray Cunha é macapaense, autor dos romances A Casa Amarela e O Lugar Errado, e do conto A Caça, publicados pela Editora Cejup ; e da coletânea Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos)

- Ela só tem onze anos - disse a mulher loira. Os cabelos dela tinham o tom branco de quando se é muito loiro. Por entre as mechas amarelo-claras vislumbrava-se o negror dos cabelos no rés do casco da cabeça. Riu. Tinha um riso paradoxalmente louco e controlado. Seus traços revelavam a aspereza dos objetos expostos à intempérie. Salvo a esperteza que se observava no seu rosto, lembrava uma vaca. Uma vaca oxigenada, mastigando chiclete.

O homem se mexeu na cadeira. Era o começo da noite. Comerciários dirigiam-se quase correndo para as paradas de ônibus. Automóveis passavam zunindo na frente do bar. Nuvens escuras pairavam ameaçadoras.

- Quanto? - disse ele. Seus cabelos também eram pintados, de acaju, e bem aparados. Seus braços magros e longos e seus dedos excessivamente compridos lembravam uma aranha.

A vaca parou de ruminar e pareceu pensar um pouco.

- Você sabe, é minha irmã... não pode ser por menos de mil reais - ela disse. - E outra coisa: você tem que devolver minha irmã do jeito que eu vou entregar...

- Bem, do jeito que você vai me entregar não dá para devolvê-la, mas ela será bem tratada - disse o homem-aranha, rindo imperceptivelmente.

A vaca ficou vidrada quando viu o dinheiro, mesmo assim o homem-aranha sentiu que alguma coisa não se encaixava. Deveria dar só a metade? Mas não havia razão para isso; a vaca já lhe arranjara tanta ninfeta que confiava plenamente nela, embora, agora, se tratasse da sua própria irmã. Ora, aquela vaca era capaz de vender a própria filha antes da idade de corte, nove anos.

Fechado o negócio, levou a menina para sua chácara, em Taguatinga Sul, onde estaria sozinho e poderia fazer o que quisesse com ela. Já estava babando só de vê-la. A menina tinha onze anos, mas parecia ter quatorze.

Os policiais deram o flagrante na hora em que o homem-aranha ia enfiando o caralho na boca da menina. Naquela noite, em vez de dar um banho de gato numa ninfeta, o homem-aranha ficou acordado por outro motivo, pois havia um colega de cela que não dispensava nem cu de velho, quando se tratava de estuprador de criança.

(Conto Extraído do livro O Casulo Exposto. Editora LGE, Brasília, 2009)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Radiohead - High & Dry

Tristana - José Edson dos Santos




Tristana
José Edson dos Santos

Meu pedaço de dialética

suburbana


hiponcondríaca

como seu gatinho

a caminhar pela cerca

na noite cinza de frio


A cidade dorme

Tristana tateia

sonâmbula a janela

de suspiro

à procura de minha

sombra de vampiro

ventríloco

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Antonio Juraci Siqueira


ronaldofranco.blogspot.com/2008/03/antnio-jur...
Antonio Juraci Siqueira nasceu em 28 de Outubro de 1948 em Cajary, município de Afuá no Pará, onde, ainda menino, descobriu a literatura através dos folhetos de cordel. Aos 16 anos mudou-se para Macapá (AP) onde casou-se, prestou serviço militar e concluiu os estudos de segundo grau. Em 1976 mudou-se para Belém graduando-se em Filosofia em 1983 pela UFPa. Pertence a várias entidades lítero-culturais, entre estas a União Brasileira de Trovadores, a Malta de Poetas Folhas & Ervas, a Academia Brasileira de Trova e o Centro Paraense de Estudos do Folclore. Atua como oficineiro, performista, contador de histórias e publicou mais de 60 títulos individuais entre folhetos de cordel, livros de poesias, contos, crônicas, histórias humorísticas e versos picantes. Colabora com jornais, revistas e boletins culturais de Belém e de outras localidades e conta com mais de 200 premiações em concursos literários em vários gêneros, em âmbito nacional e local. juraci_siqueira@yahoo.com.br

Coruja

Com um par de olhos enormes

que a todos chama atenção

a coruja não diz nada

mas como presta atenção!


Por isso na antiguidade

ganhou fama e, hoje em dia,

sua imagem representa

nossa vã Filosofia.


Mas não a tema, amiguinho,

ela é mansinha, asseguro;

só possui os olhos grandes

para ver melhor no escuro.


Bem-Te-Vi

Bem-te-vi, para teu bem

( passarinho tagarela )

não vai dizer a ninguém

que eu roubei um beijo dela!


Do contrário, ó linguarudo,

em revide ao que sofri,

falarei à tua amada

o que sei, também, de ti!


Onça Pintada
- Onça pintada,

quem te pintou?

As tuas pintas

são bonitas!...

Quem desenhou?


Será que foi

o Jurupari?

Foi Salvador

daqui ou dali?


Queria tanto

brincar contigo

pelas calçadas

mas essas garras

tão...afiadas!


Queria dar-te

um buquê de rosas

mas essas presas

tão...poderosas!...


Melhor será

pra mim e pra ti

que vivas livre

longe daqui!


Prefiro mesmo

ver-te pintada

e emoldurada

numa parede

do que vivinha

rosnando perto

da minha rede!...


Tracajá

- Olha só quem vem chegando,

nadando de lá pra cá:

a tartaruga cabocla

minha amiga tracajá.


Adora ficar na praia

tomando banho de sol

com sua casa nas costas

à moda do caracol.


Bota seus ovos na areia

mas alto lá, meu irmão,

não vá querer fazer deles,

suculenta refeição!


Mucura

Mucura branca

cara-de-pau

roubou galinha

do meu quintal.


Depressa trata

de dar no pé

senão te prendo

no meu mundé!


Se ponho as mãos

em ti, ó finória,

dou-te uma pisa

de palmatória!
( poemas do livro Paca, Tatu, Cutia Não! premiado pela Secretaria de Cultura de Belém/PA. Edital de Literatuta Infanto Juvenil Imagina Só! Belém/PA, Maio de 2008. )

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009