quinta-feira, 14 de agosto de 2008

SOLARIS


www.portalbrasil.net

P r o j e t o P o r t a l

A revista Portal Solaris — primeiro número do Projeto Portal, coordenado por Nelson de Oliveira — traz contos inquietantes que vão do universo da ficção científica ao do fantástico, passando pelo da fantasia.
São catorze narrativas sobre novas tecnologias, viagens no tempo, ciberespaço, telepatia, contatos imediatos do terceiro grau, pós-apocalipse, pós-humano, utopias e distopias, de dez autores contemporâneos de sete Estados brasileiros.
O Projeto Portal prevê seis números, com periodicidade semestral. Cada número homenageará, no título, uma obra célebre da ficção científica: Solaris, Neuromancer, Stalker, Fundação, 2001 e Fahrenheit.
Os contistas da Portal Solaris são: Ataíde Tartari (SP), Carlos Emílio C. Lima (CE), Carlos Ribeiro (BA), Geraldo Lima (DF), Homero Gomes (PR), Ivan Hegenberg (SP), Luiz Bras (MS), Mayrant Gallo (BA), Roberto de Sousa Causo (SP) e Rogers Silva (MG).


P o r t a l S o l a r i s

revisão: Mirtes Leal • diagramação: Raquel Ribeiro
capa: Teo Adorno • formato: 16 x 23 cm
impressão: uma cor • tiragem: 200 exemplares

oliveira.e.cia@uol.com.br

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Eber birthday



Bruce Willis de Van Gogh

http://www.worth1000.com/cache/gallery/contestcache.asp?contest_id=3253&display=photoshop

Eber

José Edson dos Santos


Como perceber esse lobo bobo dos quarenta?

Como não enquadrar a lupa da sugesta
na alcatéia da Buena Vista Mallatesta?

Desarvorar na lente notívaga em dia de festa
Certamente uivando cerveja de seresta

A noite sutil perdoa quem não presta
na floresta midiática de ser a sua orquestra

Perceber
Eber
na foto do lobo que ostenta
algum vacilo algum cacoete

Depois disso tudo o farolete dos anos na testa
Onde dorme na indigesta ilharga a sonsa do falsete?

Brasília caliandra astigmática do poente cerrado
Licor de pequi para curar o porre que ficou no Conic


Se para o bom entendedor esse toque
não bate com teu roque

Entra numas
Eber

quarta-feira, 23 de julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Dois Poemas de Antonio Barreto



Salvador Dali, A Persistência da Memória

Antonio Barreto (Antonio de Pádua Barreto Carvalho) nasceu em Passos (MG) em 13 de junho de 1954. Reside em Belo Horizonte desde 1973. Morou também em algumas cidades do Oriente Médio, onde trabalhou como projetista de Engenharia Civil, na construção de estradas, pontes e ferrovias. Tem vários prêmios nacionais e internacionais de literatura, para obras inéditas e publicadas, nos gêneros: poesia, conto, romance e literatura infanto-juvenil. Participa também de várias antologias nacionais e estrangeiras de poesia e contos. Foi redator do Suplemento Literário do Minas Gerais, articulista e cronista do jornal Estado de Minas e da revista “Morada” (BH). Colabora com textos críticos, poemas e artigos de opinião para “El Clarín” (Buenos Aires), “Ror” (Barcelona); “Zidcht” (Frankfurt), “Somam” (Bruxelas); ” : e outros periódicos. Atualmente coordena a Coleção “Para Ler o Mundo”, da Formato Editori.

COQUETEL MOLOTOV
(Receita Caseira Para Laboratórios Etílicos-Literários & Outros Movimentos Afins)
1. GARRAFA:
Pra fabricar um sonho
de mais valia
sentar na mesa
e pedir a dose
(No overnight da Poesia
uma garrafa é muito pouco
mas resolve)
2. GASOLINA:
Abastecer de outra
no bar da esquina
Encher o tanque
enquanto pode
(A saltitante bailarina
só tem corda
até as nove)
3. ROLHA:
Pra calar a boca
numa farra
fechar o tempo
enquanto chove
(Nessa falta de futuro
a touca amassa
e a massa dorme)
4. PAVIO:
Na cabeça a rolha
tem um furo
o mundo gira
e não se move
(Se a coisa toda
for na marra
a barra é suja
mas envolve)
5. FOGO:
Aí o tempo vira um tanque
e você chora: I love! I love!
A Bomba Humana pira o punk
que trinca os dentes
num serrote
(Se a ressaca então
for transmutante:
Sal de Frutas com Engov.
O sal saliva, a língua assa
e frisa o verso mais picante)
6. EXPLOSÃO:
A vida passa, a moda muda
e o palco aos poucos
descortina
O barulho ajuda
na fumaça
que saltar
da lamparina)
7. POSOLOGIA:
Evacuar uma só nota
a cada dia dezenove
que um soneto não se arrota
se consome se comove


POÊMIOS

Os poêmios bebem a noite inteira
e eruditos sobre a mesa
arrotam odes a Herodes
e nênias a Homero e Nero
Quando já cansados de lero-lero
e exaustos de tangar boleros
e sonâmbulos de sambar requebros
os poêmios se recolhem pelos
escuros becos alexandrinos
E assim se vão como bons meninos
a poemar
os prêmios de seus destinos
até que a noite tire do bolso o dia
E a poemada toda em algaravia
pára no caminho pra comer bombom
onde justamente outro poêmio dorme
como a pedra enorme de Drummond

quinta-feira, 12 de junho de 2008


Bruce Nauman,
Anthro/Socio (Rinde Sppinning), 1992

Artes Híbridas
Lúcia Santaella

Há muitas artes que são híbridas pela própria natureza: teatro, ópera, performance são as mais evidentes. Híbridas, neste contexto, significa linguagens e meios que se misturam, compondo um todo mesclado e interconectado de sistemas de signos que se juntam para formar uma sintaxe integrada. Nesse território, processos de intersemiose tiveram início nas vanguardas estéticas do começo do século XX. Desde então, esses procedimentos foram gradativamente se acentuando até atingir níveis tão intricados a ponto de pulverizar e colocar em questão o próprio conceito de artes plásticas.

São muitas as razões para esse fenômeno da hibridização, entre os quais devem estar incluídas as misturas de materiais, suportes e meios, disponíveis aos artistas e propiciadas pela sobreposição crescente e sincronização conseqüente das culturas artesanal, industrial-mecânica, industrial-eletrônica e teleinformática. Uma vez que a questão das hibridizações nas artes é muito vasta, selecionei para discussão três campos que me parecem os mais significativos. Primeiro: as misturas no âmbito interno das imagens, interinfluências, acasalamentos, passagens entre as imagens artesanais, as fotográficas, incluindo cinema e vídeo, e as infográficas. Segundo: as paisagens sígnicas das instalações e ambientes que colocam em justaposição objetos, imagens artesanais bi e tridimensionais, fotos, filmes, vídeos, imagens infográficas e ciberambientes numa arquitetura capaz de instaurar novas ordens de sensibilidade. Terceiro: as misturas de meios tecnológicos presididos pela informática e teleinformática que, graças à convergência das mídias, transformou as hibridizações das mais diversas ordens em princípio constituitivo daquilo que vem sendo chamado de ciberarte.

Antes de tudo, cumpre apresentar um breve retrospecto para caracterizar em que momento, no percurso da arte moderna, as misturas entre as imagens e meios começaram se fazer sentir de modo mais intenso.

No seu objetivo progressivamente perseguido de desconstrução dos cânones herdados da Renascença e de rupturas da dependência da imagem dos objetos do mundo, a trajetória da arte moderna se estendeu pelo menos, de Cézanne a Mondrian. Do século XV ao século XIX, pinturas, gravuras e esculturas, de um modo geral, “representavam o mundo, real ou imaginário, como consistindo em figuras distintas, bem definidas e reconhecíveis em um espaço tridimensional ampliado”.

Entretanto, desde finais do século XIX, as artes já haviam abandonado as estruturas de espaço e tempo, de movimento e ordem dos modelos visuais legados pela tradição. Desde que Cézanne começou a procurar as estruturas espaciais essenciais que estavam subjacentes às impressões visuais sempre mutáveis, deu-se por iniciado um itinerário crescente de implosão dos sistemas de codificação artísticos e mesmo de seus suportes e materiais, assim como modos de fazer arte.

Mondrian é paradigmáticamente apontado como encerramento de um ciclo porque, justamente com outros abstracionistas geométricos, levou a abolição do figurativo e a ruptura com a denotação referencialista aos seus limites, como se a arte moderna tivesse aí finalmente encontrado um destino cujos germens já estavam semeados em Cézanne. Ora, o fim do ciclo desconstrutor da arte moderna, seu ponto de chegada, coincidiu com o ponto de partida de um fenômeno que passou a marcar crescentemente os caminhos da arte : a explosão dos meios de comunicação e da cultura de massas no contexto de uma expansão tecnológica que não cessa de avançar.

Desde os anos 50, acentuando-se nos anos 60 e, mais ainda nos 70, sofrendo o impacto dessa expansão, os processos artísticos, a partir da Pop Art, por exemplo, começaram a apresentar processos de mistura de meios e efeitos, especialmente dos pictóricos e fotográficos. Fazendo uso irônico, crítico e inusitadamente criativo dos ícones da cultura de massa, deram continuidade à hibridização das artes já iniciada no Dada, hibridização esta que se intensificou na década de 70, quando as instalações e ambientes começaram a proliferar. De acordo com os teóricos da pós-modernidade, na década de 60, a arte moderna, já crepuscular, cedia terreno para outros tipos de criação, dentro de novos princípios que são chamados de pós-modernos. Ora, se há uma face proeminente nesses princípios, essa é a face das misturas, passagens, hibridizações entre artes e entre imagens: as passagens entre imagens; as passagens sígnicas das instalações e o hibridismo digital.
( Texto extraído do livro de Lúcia Santaella: Culturas e artes do Pós-Humano – Da Cultura das mídias à Cibercultura. Editora Paullus. São Paulo, 2004 )

sábado, 7 de junho de 2008

Menezes y Moraes



Poetas: José Edson, Ivan Monteiro e Menezes y Moraes

Menezes y Moraes

Jornalista, professor e escritor, nasceu em Altos João de Paiva, e vive em Brasília desde 1980. Ex-presidente do Sindicato dos Escritores do DF. Tem 10 livros publicados: um de contos, uma peça de teatro, e oito de poesia, entre os quais Na micropiscina da lágrima feliz (poesia) e Por favor, dirija-se a outro guichê (teatro).

A Hora da Existência Calma

Lentamente a tarde recolhe
o cenário do tempo
e a noite entra em cena
feito um grito que irrompe do silêncio
com suas estrelas salpicadas de infinito
nessa hora da existênciaflita
os corações dos vivos se agitam
Queremos morte ao cogumelo atômico
Procuro o inatingível nos teus olhos
para transformá-lo em guia
y meu abrigo
A vida é intransferível e não hesito:
em ti eu confio

Garças do Paranoá

Garças no Paranoá
dizei-me
águas mais poluídas?
Valei-me
Garças do Paranoá
quintal de poder
mais careado
Não há
Garças do Paranoá
que notícias me dás dos morto
do acampamento Pacheco?
Garças do Paranoá
valei-me
serei feliz?

À mim não importa
se o destino quis
ou não quis

Eu sou feliz
desde o instante
em que me quis

Nós

Marquei encontro comigo e cheguei atrasado
Mas esperei por mim até o limite do intolerável
E olhei dentro dos olhos
espelhos do azul multiplicado
e sorrimos enternurados
partilhando sonhos inventando outras cidades
Depois pegamos o chapéu do tempo o casaco da vida
e fomos à luta contra as tempestades
Corações enflorecidos gritam na madrugada
Aurora do ser queu buscava é o amor que me esperava



A Olimpíada do Amor

Amor sublime dor
O coração de quem ama é cama de campanha
quando o amor se equilibra
campo de batalha
na corda bamba
ringue das artimanhas

O amor organiza o tempo

Há quem pensa que o amor é profissão
O amor é fundamental
o Tao branco de lavanderia celeste
lava mais ternura no coração do agreste
brota lágrimas nos olhos de Deus
O amor move o vento o amor é ateu

Sacrossanto auto-estrada do pensamento
corre atrás vai à luta
o amor é leveza anti-força bruta
razão do sentimento
o amor é sacerdócio
o amor é pasta de grão de bico
no pão integral do tempo

O homem-sonho é conteúdo da semente?
O amor faz chover em Brasília
O amor tem a fórmula
anticárie-carência da existência

“o amor força as portas dos infernos”?
em noite cinza diz um poeta amigo meu
o amor é um bolero

Enquanto o ódio se amputa
e o homemáquina se estraçalha
o amor é do caralho

E mesmo que o homem se compute
e a vida se distraia
o amor detona o tédio nos campos de batalha

Aquecimento Global