quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Hilda Hilst - Da morte. Odes mínimas



Hilda Hilst


Odes mínimas, de Hilda Hilst foi publicado pela primeira vez em 1980 por Massao Ohno/ Kempf Editores, além de ter constado da reunião Poesia (1959/ 1979), lançada também em 1980, pelo Instituto Nacional do Livro/ Edições Quíron.
Da morte. Odes mínimas vem acompanhado de seis aquarelas da própria Hilda Hilst. São aquarelas de cores vivas e alegres, enquanto os versos conversam com a negra morte. Tal paradoxo, obviamente proposital, vem afirmar que a poesia traz a morte para a ensolarada vida, procura envolvê-la, e, por esse caminho, o monólogo com ela se torna possível. Assim como, de tanto falar sobre algo, uma intimidade possa se estabelecer, o monólogo criado para a morte parece querer que ela, ao se apresentar finalmente por inteiro, já não seja capaz de causar espanto. Os versos da poeta traçam uma via que conduz ao encontro virtual "entre duas mulheres fortes/ na sua dura hora". Ou, já aprofundando o encontro: "E a ti, te conhecendo/ Que eu me faça carne/ E posse/ Como fazem os homens". Um conhecimento vai sendo travado, um envolvimento vai criando a trilha da sedução, enfim, as odes vão construindo um pacto com a morte.( Gerana Damulakis. http://leitoracritica.blogspot.com/2008/08/hilda-hilst.html )

(...)
É sempre a morte o sopro de um poema
entre uma pausa e outra ela surge
Ilharga de sol. Ah, diante do efêmero
hei de cantar mais alto, sem o freio
de cantares longínquo, assustado.
(...)
Um poeta e sua morte
estão vivos e unidos
no mundo dos homens

Ode XXVIII (Da morte)

Ah, negra cavalinha
Flanco de acácias
Dobra-te para a montaria
Porque me sei pesada
De perguntas, negras favas
Entupindo-me a boca
E no bojo um todo averso
Uns adversos de nojo:
Que rumos? Que calmarias?
Me levas para qual desgosto?
Há luz? Há um deus que me espia?
Vou vê-lo agora montada alma
Sobre as tuas patas? Tem rosto?
Dobra-te mansa
Porque me sei pesada. De vida.
De fundura de poço. E porque
Um poeta não sabe montar a morte
Ainda que seja a minha:
Flanco de acácias.
Negra cavalinha.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DEZLOKADO - Marcos Fabrício Lopes da Silva





MARCOS para além da marcação, Fabrício para além da fabricação, LOPES para além do lapso, DA SILVA para além da selva de pedra. Poeta brasiliense afrobrasileiro e co-fundador da República do Pensamento, Jornalista formado no UniCEUB, Doutorando e mestre em Estudos Literários/Literatura Brasileira pela Faculdade de Letras da UFMG. Reside em Belo Horizonte.


A FOLHA E O LÁPIS

Viemos da mesma árvore,

mas somos frutos diferentes.

Nossos destinos se cruzaram

para que a obra-prima

não virasse só mais um rascunho.

Poderia te encher com os meus rabiscos,

mas prefiro traçar palavras bonitas

a fim de melhor gozar do teu espaço aberto e acolhedor.

Me agrada muito saber que,

ao ficares grávida dos meus sentidos,

os olhares dos curiosos ficam debruçados sobre ti,

conto que o segredo (e o encanto) da nossa relação

esteja no fato de que tudo entre nós foi sempre preto no branco.

Nossos contatos são tão marcantes

que não há borracha que os apague

e nem lixeira que os carregue para longe.

Tu guardas as nossas lembranças,

resistindo bravamente ao amarelo do tempo

enquanto eu driblo as ações do apontador

para curtir o maior tempo possível juntinho de ti.

Pintando o sete, riscamos o sofrimento do mapa,

e, de quebra, desliza em tua textura,

te fazendo cócegas e dengos.

Estou contigo até a última ponta. Registrado?


PARA-QUEDAS


Um para-quedas foi preciso para cair na tua vida.


Cheguei no teu coração. Remédio para antigas feridas.


Vivia nas nuvens até ter encontrado um pouso alegre.


Percebi que há uma outra forma de chegar às alturas:


é quando a minha língua alcança o céu da tua boca.


Em tua companhia, aprendi a não ter medo do chão


porque é nele que rola tudo entre a gente.




ELOGIO DO AMOR TOTAL( Na Levada de Camões)


Amor é agua que purifica sem precisar crer;


é cicatriz que cura e a ferida desmente;


é um inconformismo cpntente;


é remédio que a gente toma sem a bula ler




É um contra-poder mais que bem poder;


é ser solidário com quem não gosta da gente;


é sempre afinar-se com o coro dos descontentes;


é deixar a onda te levar sem o mas temer;




É querer estar condenado à liberdade;


é colher com quemse ama a lição da dor;


é não ter como obrigação a felicidade




Mas como ideal pode brotar a seu favor


mas corações humanos a sinceridade


se tão contrário, iludir é também Amor?




MENINO-AVIÃO


eixos que te quero asas


asas que te quero eixos


torto como o cerrado


desafio o plano arquitetado


prefiro experimentar


o plano-elevado


de ser o menino avião


que aprendeu a voar


com os pássaros


H20H!


Todo manda-chuva


chove no molhado.


Quem faz chover mesmo


é quem dá nó em pingo


d'água.


ALL STAR NA CIVILIZAÇÃO


João virou estrela

ao se enforcar em um cadarço

de um tênis surrado

de tanto correr atrás

de all star bem









Na Levada de CAMÕES

sábado, 7 de maio de 2011

FINCAPÉ Coletivo de Poetas







Lançamento FINCAPÉ Coletivo de Poetas - Biblioteca Nacional de Brasília, 5 de abril de 2011, fotos de Basilina Pereira


FINCAPÉ, publicada pela Thesaurus Editora em abril de 2011 é a sexta coletânea do Coletivo de Poetas, organizada por Menezes y Moraes. As outras antologias cooperativadas foram: Poemas(1990), Contos(1990), Outros Poemas(1992), Ibirapitanga(1994) e Mais Uns(1997). O Coletivo de Poetas existe há 21 anos, é pioneiro na realização de saraus no Distrito Federal e tem como filosofia o lema Poesia para Todos. Os 43 poetas que integram a coletânea FINCAPÉ, nas palavras de seu organizador, “celebram a Vida (seus encontros e desencontros), se indignam diante a miséria social e manifestam carinho por Brasília”.

No Mundo da Lua (Almira Rodrigues)

não sou bailarina
me falta equilíbrio
sou poeta
posso tirar os pés do chão
e ficar no mundo da lua

O Dorso da Palavra (Basilina Pereira)

O dorso da palavra me compele
a desvendar o mistério da tarde.
Aquele espaço que é de tempo,
de brisa
e ninguém sabe quanto vento ainda trará.
Se o ouro que transborda vem dos olhos
que garimpam emoções
ou dos versos que escondem o segredo das cores.
No poente, invento nuances até não ter mais tons
para rimar
E nos sons que ora se abrem ora se fecham
colho mágoas e alegrias
até o poema se mostrar.

A Trapezista (Carlos Augusto Cacá)

A segurança do palco
não seduz a trapezista
A sua alma de artista
projeta-se para o alto

Se há um risco no salto
há outro na plataforma
viver essa vida morna
no máximo balançar

Porém se quiser voar
e se confia em meus braços
salte para os aplausos
quando eu te colher no ar

Brasília (Carla Andrade)

O tempo e suas longas tranças
debruçadas em varandas com
vista para os olhos da cidade.

A cidade com seus sentimentos
enclausurados em caixas de concreto
pés de aço,
jardins de cimento,
estátuas mijadas.

Você tem que ser híbrido
até seu silêncio dever ser civilizado.
Deixe o que é visceral para
a fotossíntese das plantas.

O que é magistral na sua loucura
para a metamorfose das borboletas

Nada de mudanças repentinas,
enquanto a cidade e seu relógio analógico
decidem seu destino.
Ande devagar, não olhe para os pássaros.

Ária do Amor Desesperado (Chico Porto)

amar
imprescindivelmente
a palavra
disseminada
dissimulada
em teu corpo invicto
eu
o teu leitor convicto

Um Fado Cego (Donne Pitalurgh)

Dei pra dedilhar um fado cego
na guitarra portuguesa do meu medo
e pelo Alentejo eu carrego
d’oliva da manhã, o gosto azedo

O peito enferrujado feito prego.
Heterônimo de dor e azulejo.
Meu amor, eu te amo e te renego
na pessoa lusitana do meu beijo.

Quanto mais mar houvera, mais navego
oceano proceloso, céus, rochedo,
buscador que sou da primavera.

Quanto menos El Rey espera, mais eu chego
noite alta, madrugada, manhã cedo,
na nau catarineta da quimera.

Verde Triste (Ézio Pires)

Enquanto
o verde triste do cerrado
anuncia
o ventre da terra
em
brasa
Anja W3
bate asas...
Eu bato
pernas...
sem ouvir
as cigarras...
que não cantam mais em minha terra...

Desatino (Nonato Veras)

Fique á vontade
a poesia passou por mim ontem, de tarde
hoje, depois do vinho,
sou cavalo de outro desatino.

sábado, 26 de março de 2011

Vicente Sá e O Engenho da Loucura



Vicente Sá e o seu parceiro Sérgio Duboc http://nosrevista.com.br
Vicente Sá, natural de Pedreiras, Maranhão, chegou a Brasília em 68 e não pretende sair. Autor de seis livros e muitos poemas que viraram letras de músicas. Tem desenvolvido trabalhos junto o movimento VivaaArte e junto ao lendário grupo Liga Tripa, do qual é letrista e cúmplice. Comentários sobre o poeta:

" Eu sempre gostei da poesia de Vicente Sá. Rápida, rasteira, que a gente entende sem fazer força. A cara dele." Nicolas Behr. "o Vicente Sá, liga a sua usina/ de luares e fantasia./ Parece um diabo velho/ limpando peixe na pia./ Descama novas palavras:/ Peixe em postas de poesias." Aloísio Brandão." "Um dos grandes poetas de sua geração. Tem poesia fácil que aprendeu no cordel e de algumas invenções bem suas." W.Gadelha Neto. "A poesia de Vicente Sá é feito de vento e rapadura: assanha o juízo e adoça o sentimento." Climério Ferreira.

Engenho da Loucura

Tudo é mentira

a dor do amor não dói na gente

dói noutro dia

Já quando a gente é diferente

Já quando tão ausente

vira uma ilha

pensando estar

distante

de quem nos fira

tudo é mentira


Começa leve

o amor é vento e rapadura

e a dor se chega

dor é o cansaço da ternura

feito quem tira tudo

e deixa o CEP da amargura

mas faz um tempo

e o tempo eu sei que tudo cura

que os sentimentos

lá no engenho da loucura

estão fazendo

a vida ser outra doçura

Faça assim por mim

finja que o amor respira

Creia,

tudo é mentira


Alminha

Às vezes eu ando nas ruas

pesado como nos sonhos

com a loucura pousada nos ombros

sinto vontades estranhas

como pequenas alminhas

sugerindo outros rumos

- Vai ser advogado, vai! Ficar dentro de um terno

o dia inteiro nas portas dos tribunais!

- Vai ser morador de rua, vai! Ser dono de nada

num meio de um tudo!

- Vai ser soldado, vai! Passar a vida toda de guarda,

vendo a vida passar!

Tem cada alminha mais sem graça...

Ainda bem que eu sei

que a loucura é coisa que dá, mas passa.


Diferenças

Não sei se as mulheres são de Vênus

e os homens são de Marte

mas sei que há grandes diferenças

de parte a parte

Os homens caminham e espiam

as mulheres observam e desfilam

Os homens fazem sexo e esnobam

as mulherem fazem amor

quando fazem sexo, cobram

E até mesmo na hora da morte

a coisa se diferencia

homens morrem de fome

mulheres de anorexia


Janela

A janela é para se olhar e sonhar

e a porta, talvez por isso,

seja o risco.

Só não deve acontecer é da janela estar fechada

e a porta encadeada


Mas não esquenta não, fogão

fica fria, geladeira


Quando não der mais pé

a gente foge pela chaminé.


terça-feira, 22 de março de 2011

Haikais e a Grande Onda Kanagawa de Katsushika Hokusai




O vento cortante

assim chega o seu destino

barulho do mar


Ikenishi Gonsui


Junco ressequido

dia após dia se quebra

para o rio levar


Takakuwa Rankô


Um corvo pousa

em um galho morto

noite de outono


Matsuo Bashô

terça-feira, 8 de março de 2011

Pierrot Bacante - José Edson dos Santos



O carnaval

esculhamba meu lirismo pacato

A carne cega e fraca

apodrece no delírio

de Baco

estuprando raposas

que não valem rosas

muito menos uvas

do verde vale

do meu ego

A manhã é feminina, e todo dia é dia dela...José Edson dos Santos/ Mulheres de Atenas - Chico Buarque




O mito de Eva nasceu da costela de Adão. Com ela surgiu o pecado original e o mistério que as Mulheres costumam produzir. Nos diferentes ritos da natureza humana, sabe que a vida é uma constante simbiose e que a alquimia de viver, o mais sagrado dos rituais. Clarividente das estações definitivas em perfeita harmonia com os astros e constelações, sinaliza no horizonte das horas o movimento dos ventos, o sentido do sol, da chuva e contempla outros fenômenos da natureza no seu êxtase maravilhoso. Natureza feminina com toda suas conexões.

Emana e vibra com energia, as florestas, os rios e os pássaros do poente. Uma ponte suspensa que leva a aurora boreal em transe. O sol e a lua molduram sua janela de quintessência que amamos. Essa imbricação traduz o presente inesperado em nosso imaginário de amor e morte, de paixão e loucura. A humanidade conhece a substância de seu tecido onde tece o vestido de sua ternura.

O perfume embriagador e fatídico de sua presença ao lado do homem, concebeu a vastidão e a geografia inusitada do mundo: Cleópatra, Lou Salomé, Anais Nin, Frida Kahlo, Olga Benário, Pagu, Luz Del Fuego, Elvira Pagã, Marisa Montini. São tantas outras que somam a luta de todos os dias por entre conquistas e sonhos, dos dias e das noites que testemunham e sinalizam o mistério prodigioso de sua existência.

Na diversidade cultural incomensurável, são tantas outras costelas: são putas, donas de casa, peruas, empresárias, beatas, porras-loucas, professoras e operárias. Imprescindíveis, no entanto, as mulheres que buscamos para complementar afeição e carinho que tanto procuramos com obsessão. Como disse o cronista, Deus criou o mundo em seis dias, no domingo descansou e na segunda criou a Mulher. Eternamente Mulher. Maravilhados tentamos entender o universo em seu corpo. Outra dádiva de Deus.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Varal com 3 poetas amapaenses com Marabaixo Batuque de Olivar Cunha



Marabaixo - Batuque, de Olivar Cunha
http://olivarcunhaarte.blogspot.com/

Alcinéa Cavalcante (Jornalista, professora e escritora. Publicou dois livros de poesia: Estrela Azul e Dez Poemas. Em 2008 publicou com Rostan Martins dois livros de causos: Sambou e Zero Voto. Publicou em 2008 Varal, com Rostan Martins e Osvaldo Simões. Participa da Coletânea Poetas, Contistas e Cronistas do Meio do Mundo. Blogueira da arte e cultura amapaense em http://alcinea-cavalcante.blogspot.com )

Noturno

A noite
eu vigio estrelas
Me embriago
de amor e luar
Passeio com Hemingway em Paris
Visito os becos de Goiás
com Cora Coralina
E com Quintana
tento descobrir
o que é que os grilos
passam a noite inteirinha fritando

Dormir
é bom de manhãzinha
Quando o sol
- ainda tímido –
pula minha janela
pra me ninar

UM

Se eu soubesse
rezar verso
esta saudade
não estaria doendo tanto
como a dor
de não ser pássaro
para flutuar no azul

DOIS

Com as cordas
do violão
fiz um
varal de poesias
e pendurei
nas estrelas

E a noite
encheu-se
de música e versos

TRÊS

Já viu, meu amigo,
uma bailarina
que não baila?

Essa aí
fica o tempo todo
na minha estante
brincando de estátua

Oswaldo Simões Filho (Jornalista e poeta, autor de “Lamento Ximango”. Publicou em 2008 Varal, com Rostan Martins e Alcinéa Cavalcante. Participa da Coletânea Poetas, Contistas e Cronistas do Meio do Mundo. Tem livros inéditos de poesias e contos. Vive no império dos fatos e no jardim da imaginação).

Bares

canta galo
que o vico ouviu
um reclame no bar
de caboclo embarcado
em merengue...

na hora em que passou
pela esquina um gato azul
o poeta soletrou
em mãos carinhosas
o futuro no café society

a cabocla jarina baixou
no canto da parisiense
e da noite mal criada reclamou...

du pedro fez preces
aos três padroeiros
para o barrigudo
continuar a fazer
carnaval na rua...

Marés dos dias

No rio
de nossa infância
passa saudade
carregando cidade
onde umbigo ontem enterrado
hoje faz visagem

No rio
de nossa infância
para se remar
precisa ter coragem
pois é preciso atravessar
quintal de lembranças
descer ladeira
no falatório da vizinhança
fazer prece em corredeira
para menina
embrulhada em camisola
onde uma vontade
se enrola

Natural

O rio
não tem farsa
é água
que enche
que vasa
como a vida
que vem
e que passa

Rostan Martins ( Poeta, escritor, radialista, arquiteto, professor universitário e mestre em Semiótica. Autor do livro Alô, alô, Amazônia. Em 2008 publicou com Alcinéa Cavalcanti dois livros de causos: Sambou e Zero Voto. Em 2008 publicou hai-kais poéticos em Varal, com Alcinéa Cavalcante e Osvaldo Simões Filho. Participa da Coletânea Poetas, Contistas e Cronistas do Meio do Mundo. Blogueiro em http://rostan.zip.net

Ao Marabaixo

Vou roubar “ladrão”
na derrubada do mastro
Gengibirra faz lastro.

Faz cair pedaço
na nuvem da murta
caldo e cachaço.

O que tu esconde?
Saia rodada? Só paixão,
nos teus coxões?

O som dos caixeiros
é o bambolear das nádegas
das marabaixeiras.
Cortação do mastro,
homem, natureza e cultura,
junto no lastro.

À Macapá

Veja a brincadeira.
esmigalho amendoim,
pelada na beira.

Moleque empina
o pássaro preto
pipa de quina.

Vem rio em rio
assistindo a proeza
Amazonas no cio.

Parte da gente,
ardente na mente.
Amor contente.

Torrão beleza,
adorável paragem
e singeleza.

Apetitoso.
lugarzinho ditoso,
talhe gostoso.

Galanteio
gabo e elogio,
reclamo e odeio.

Quem amará:
Macapá com amores,
sem prejudicar.

Tuas chuvas, heim!
Gota cai, barulha.
A parte de nós.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Poemas edsoneanos esparsos com Cachorro Grande





Ray-ban

A saudade rói a manhã
O tempo Rayane
sopra brisa Ray-ban

Mito do bom velhinho

Dezembro chuvoso
Benedita rena de espera
Papai Noel paga prenda
no pé-de-chinelo velho


Moderex

Noite vagalume
Vagabunda sem piteira
nem quitinete de lascívia
um papo furado de sentimento parco
batom no colarinho bege
o desejo sestroso por Verbena
detona o último moderador de apetite
na sala retreta careta
toca Paulo Patife Band

Liliputh

Teu pé pequeno
peca e pisa
a brisa lisa
no roda-pé
de anã
rente
ao chão

Acabou o coquetel

Cadê o coronê do cerrado
seu cartel de conveniência e contravenção?
A curupira comeu na peia

Agora caliandra floresce vistosa
a chuva abate as mangas podres
nas invasões populistas

Acabou o coquetel molotov
O cerrado tem outra
sustentabilidade sensível
sem os insetos de outras estações